Um espaço dedicado à equitação consciente, à relação entre cavalo e cavaleiro e ao ensino com sensibilidade. Entre técnica, emoção e compreensão do movimento do cavalo, nasce o “Equitação com o Coração”.
Autor: Sara Teixeira
Olá, eu sou a Sara Teixeira.
Desde muito cedo que os cavalos fazem parte da minha vida e do meu percurso. Ao longo dos anos, fui descobrindo que a equitação vai muito além da técnica. É também escuta, sensibilidade, confiança e relação.
A “Equitação com o Coração” nasce precisamente dessa visão: a vontade de ensinar e compreender o cavalo de uma forma mais consciente, respeitadora e humana.
Neste espaço partilho reflexões, experiências, exercícios, observações e aprendizagens ligadas ao ensino equestre, biomecânica, comportamento equino e ligação entre cavalo e cavaleiro.
Acredito que cada cavalo tem algo para nos ensinar quando aprendemos verdadeiramente a ouvi-lo.
E acredito também que a verdadeira evolução começa quando deixamos de procurar apenas controlo e começamos a procurar compreensão.
Mais do que formar cavaleiros, procuro ajudar a criar relações mais justas, sensíveis e equilibradas entre humanos e cavalos.
SABIAS QUE A ELASTICIDADE DA TUA VIRILHA PODE ESTAR A INFLUENCIAR O TEU ASSENTO?!
Por, Sara Teixeira – Equitação com o Coração
Quando falamos de um bom assento, pensamos frequentemente em equilíbrio, postura, força do core ou posição das pernas. Todos estes elementos são importantes. No entanto, existe uma zona do corpo que raramente recebe a atenção que merece e que pode influenciar profundamente a qualidade do assento: a virilha.
A região da virilha, juntamente com a articulação da anca, funciona como uma ponte entre o tronco e as pernas. É através desta ligação que o cavaleiro consegue acompanhar o movimento do cavalo sem o bloquear.
Quando esta zona apresenta rigidez, o corpo perde capacidade de adaptação. A bacia deixa de acompanhar livremente o movimento, as pernas tornam-se mais tensas e o cavaleiro acaba por procurar estabilidade através da força em vez da elasticidade.
Sinais de que a tua virilha está rígida:
Joelhos excessivamente fechados.
Pernas que sobem ou avançam involuntariamente.
Dificuldade em manter um contacto suave com o cavalo (força das mãos, pernas apertadas, etc).
Rigidez da bacia.
Assento “saltado” no trote.
Sensação de insegurança nos movimentos mais amplos ou mais rápidos.
Para agravar mais esta situação, tentamos corrigir com o baixar dos calcanhares, relaxamos as pernas, sentamos mais fundo…tentamos tudo e mais alguma coisas, mas se a origem da dificuldade estiver na falta de elasticidade da virilha, estas correções terão um efeito limitado.
Quando a virilha tem elasticidade:
A perna cai naturalmente ao longo do corpo do cavalo.
A bacia acompanha melhor os três andamentos, bem como exercícios até mais complexos.
O contacto torna-se mais suave.
O cavaleiro consegue influenciar sem bloquear.
O cavalo move-se com mais liberdade e descontração.
Ao longo dos anos, aprendi que muitos dos desafios que atribuímos ao cavalo começam, na verdade, no nosso próprio corpo.
O assento não é apenas uma posição. É uma conversa silenciosa entre dois seres em movimento. E essa conversa torna-se mais clara quando aprendemos a substituir a rigidez pela elasticidade.
Porque, na equitação, acompanhar é muitas vezes mais importante do que controlar.
Um espaço dedicado à equitação consciente, à relação entre cavalo e cavaleiro e ao ensino com sensibilidade. Entre técnica, emoção e compreensão do movimento do cavalo, nasce o “Equitação com o Coração”.
Porque o trote sentado é tão difícil?!
Se existe um momento que desafia muitos cavaleiros, é o trote sentado!
Ou pernas começam a mexer sem controlo, ou o corpo prende, as mãos ficam instáveis e, muitas vezes, surge a sensação frustrante de “não conseguir acompanhar o cavalo”.
Sabes que isto é perfeitamente normal?
O trote é um andamento com bastante impulsão e movimento vertical. Ao contrário do passo, onde o movimento é mais fluido e previsível, o trote exige que o cavaleiro aprenda a absorver movimento através do próprio corpo sem criar rigidez.
O problema é que, naturalmente, quando sentimos instabilidade, o corpo tenta proteger-se.
Contraímos a lombar, apertamos as pernas, bloqueamos a bacia e prendemos a respiração sem sequer perceber. E quanto mais o corpo se contrai, mais difícil se torna acompanhar o movimento do cavalo.
Muitas vezes o aluno acredita que “não tem jeito”, quando na realidade ainda não desenvolveu as bases necessárias para compreender e absorver aquele movimento.
Porque o trote sentado não depende apenas de “aguentar sentado”.
Depende de equilíbrio, consciência corporal, mobilidade da bacia, descontração muscular e confiança.
Também é importante perceber que cada cavalo possui um trote diferente. Alguns têm movimentos mais amplos e elásticos, enquanto outros apresentam um trote mais duro ou mais difícil de acompanhar, especialmente para alunos em fase de aprendizagem.
E existe ainda outro ponto importante: o medo de bater na sela ou perder o equilíbrio faz com que muitos cavaleiros antecipem tensão antes mesmo de começarem o exercício.
Por isso, antes de exigir um trote sentado bonito, acredito que precisamos primeiro de preparar o corpo do aluno.
Trabalhar equilíbrio.
Trabalhar mobilidade.
Trabalhar respiração.
Trabalhar confiança.
Porque um corpo relaxado aprende muito mais depressa do que um corpo em estado de sobrevivência.
Ao longo do tempo, fui percebendo que muitos alunos começam finalmente a desbloquear o trote sentado no momento em que deixam de lutar contra o movimento do cavalo e começam verdadeiramente a compreendê-lo.
E talvez seja precisamente aí que a equitação deixa de ser força… e começa a tornar-se comunicação.
A importância do trabalho de equilíbrio
Sem equilíbrio, o corpo entra automaticamente em tensão.
É muito comum ver alunos a tentar manter-se na sela através da força das pernas ou das mãos, quando na realidade o equilíbrio deveria vir do alinhamento e da estabilidade do corpo.
Muitas vezes, antes de trabalhar o trote sentado, gosto de trabalhar exercícios simples ao passo e em suspensão para ajudar o aluno a encontrar o seu centro de equilíbrio sem rigidez.
Exercício simples:
Trabalhar ao passo sem estribos durante alguns minutos;
Alternar entre posição sentada e posição ligeira;
Fazer pequenos círculos com a bacia para libertar tensão.
Estes exercícios ajudam o corpo a ganhar consciência e estabilidade de forma progressiva.
Mobilidade da bacia: O corpo precisa de acompanhar
Um dos maiores bloqueios no trote sentado acontece quando a bacia deixa de acompanhar o movimento do cavalo.
Quando existe rigidez na lombar e na anca, o impacto do trote aumenta e o cavaleiro começa a “bater” na sela.
Curiosamente, muitos alunos melhoram bastante quando percebem que o objetivo não é ficar imóvel, mas sim aprender a movimentar-se com o cavalo.
Exercício simples:
Alongamentos da anca antes de montar;
Exercícios de mobilidade pélvica numa bola de pilates;
Trabalhar trote sentado durante poucos segundos de cada vez, sem insistir em excesso.
Pequenos momentos de qualidade valem muito mais do que longos períodos de tensão.
Confiança e Segurança
Também é importante perceber que o trote sentado não é apenas uma questão física.
Existe uma componente emocional muito forte.
O medo de perder o equilíbrio, de bater na sela ou de “não conseguir” cria antecipação e tensão antes mesmo do exercício começar.
E um corpo em estado de alerta dificilmente consegue absorver movimento de forma fluida.
Lembro-me de vários alunos que passaram meses a acreditar que nunca conseguiriam fazer trote sentado. Alguns chegavam mesmo a evitar esse momento da aula por ansiedade.
Mas, curiosamente, quando começámos a trabalhar primeiro a segurança, a estabilidade e a compreensão do movimento do cavalo, tudo começou gradualmente a mudar.
Não porque o trote ficou mais fácil de um dia para o outro, mas porque o corpo deixou de estar constantemente em defesa.
O cavalo também conta!
Cada cavalo possui um movimento diferente.
Existem cavalos com trotes mais suaves, elásticos e fáceis de acompanhar, enquanto outros apresentam movimentos mais fortes ou mais difíceis para alunos em fase de aprendizagem.
Por isso, comparar alunos entre si raramente faz sentido.
Cada combinação entre cavalo e cavaleiro é única.
Antes da técnica precisa de existir segurança
Ao longo do tempo, fui percebendo que muitos alunos começam finalmente a desbloquear o trote sentado no momento em que deixam de lutar contra o movimento do cavalo e começam verdadeiramente a compreendê-lo.
Talvez seja precisamente aí que a equitação deixa de ser força… e começa a tornar-se comunicação.
E talvez o mais importante seja lembrar que dificuldades não significam falta de capacidade. Muitas vezes significam apenas que o corpo ainda precisa de tempo, preparação e confiança.
E desse lado?
O trote sentado também foi, ou continua a ser um desafio para ti?
Gostava muito de ler a tua experiência nos comentários.
Queres dar-me alguma sugestão de temas?
Envia uma mensagem para mim com as tuas sugestões ou até dúvidas que tenhas e queiras partilhar comigo.
Quando ouvimos falar em galope, quantos de nós não ficam logo com taquicardia?
Talvez por ter passado exatamente por isso, hoje tenho uma visão diferente do ensino da equitação, e foi precisamente essa experiência que me ajudou a criar o meu método de trabalho.
Lembro-me perfeitamente do corpo tenso e contraído cada vez que tinha de sair a galope. Muitas vezes acabava no meio do chão…
“É normal!”, dizia o instrutor. “Montar é uma arte e cair faz parte!”. Ouvi isto tantas vezes que comecei a acreditar que o problema era meu. Que simplesmente não tinha jeito nenhum para montar a cavalo.
Os anos foram passando, mas o corpo continuava a reagir da mesma forma sempre que chegava o momento do galope. A tensão aparecia antes mesmo do cavalo fazer a transição ao galope.
Cheguei até a desistir de montar durante algum tempo, porque acreditava genuinamente que era uma “naba” a cavalo.
Hoje percebo que não era “naba” nenhuma. Simplesmente nunca ninguém me tinha explicado verdadeiramente o movimento do cavalo. Nunca ninguém me tinha ensinado que, antes do galope, existiam outras coisas importantes a trabalhar: equilíbrio, estabilidade, confiança, consciência corporal e descontração.
Porque o problema nunca esteve no andamento. O problema está, muitas vezes, na forma como o ensino é conduzido e na pressão que colocamos sobre o aluno antes de ele se sentir preparado.
Hoje sou professora de equitação e nunca obrigo nenhum aluno meu a galopar. E também não permito que o façam se sentir que ainda não têm estabilidade física ou emocional para isso.
Porque acredito que o galope não deve ser vivido com medo, mas com confiança.
E talvez seja precisamente aí que começa a verdadeira aprendizagem.
Bem-vindos ao “Equitação com o Coração”. Este espaço nasce da vontade de partilhar aquilo que os cavalos me têm ensinado ao longo do caminho, não apenas sobre equitação, mas também sobre sensibilidade, escuta, confiança e relação. Aqui vou escrever sobre ensino equestre, comportamento, biomecânica, exercícios, emoções e tudo aquilo que acredito fazer parte de uma equitação mais consciente e respeitadora do cavalo. Mais do que procurar perfeição, procuro compreensão. Mais do que controlar, procuro comunicar. Espero que este espaço possa inspirar, ajudar e fazer refletir todos aqueles que sentem que a verdadeira equitação começa muito antes da técnica. Com carinho, Sara Teixeira