
Por, Sara Teixeira
Um espaço dedicado à equitação consciente, à relação entre cavalo e cavaleiro e ao ensino com sensibilidade. Entre técnica, emoção e compreensão do movimento do cavalo, nasce o “Equitação com o Coração”.
Porque o trote sentado é tão difícil?!
Se existe um momento que desafia muitos cavaleiros, é o trote sentado!
Ou pernas começam a mexer sem controlo, ou o corpo prende, as mãos ficam instáveis e, muitas vezes, surge a sensação frustrante de “não conseguir acompanhar o cavalo”.
Sabes que isto é perfeitamente normal?
O trote é um andamento com bastante impulsão e movimento vertical. Ao contrário do passo, onde o movimento é mais fluido e previsível, o trote exige que o cavaleiro aprenda a absorver movimento através do próprio corpo sem criar rigidez.
O problema é que, naturalmente, quando sentimos instabilidade, o corpo tenta proteger-se.
Contraímos a lombar, apertamos as pernas, bloqueamos a bacia e prendemos a respiração sem sequer perceber. E quanto mais o corpo se contrai, mais difícil se torna acompanhar o movimento do cavalo.
Muitas vezes o aluno acredita que “não tem jeito”, quando na realidade ainda não desenvolveu as bases necessárias para compreender e absorver aquele movimento.
Porque o trote sentado não depende apenas de “aguentar sentado”.
Depende de equilíbrio, consciência corporal, mobilidade da bacia, descontração muscular e confiança.
Também é importante perceber que cada cavalo possui um trote diferente. Alguns têm movimentos mais amplos e elásticos, enquanto outros apresentam um trote mais duro ou mais difícil de acompanhar, especialmente para alunos em fase de aprendizagem.
E existe ainda outro ponto importante: o medo de bater na sela ou perder o equilíbrio faz com que muitos cavaleiros antecipem tensão antes mesmo de começarem o exercício.
Por isso, antes de exigir um trote sentado bonito, acredito que precisamos primeiro de preparar o corpo do aluno.
- Trabalhar equilíbrio.
- Trabalhar mobilidade.
- Trabalhar respiração.
- Trabalhar confiança.
Porque um corpo relaxado aprende muito mais depressa do que um corpo em estado de sobrevivência.
Ao longo do tempo, fui percebendo que muitos alunos começam finalmente a desbloquear o trote sentado no momento em que deixam de lutar contra o movimento do cavalo e começam verdadeiramente a compreendê-lo.
E talvez seja precisamente aí que a equitação deixa de ser força… e começa a tornar-se comunicação.
A importância do trabalho de equilíbrio
Sem equilíbrio, o corpo entra automaticamente em tensão.
É muito comum ver alunos a tentar manter-se na sela através da força das pernas ou das mãos, quando na realidade o equilíbrio deveria vir do alinhamento e da estabilidade do corpo.
Muitas vezes, antes de trabalhar o trote sentado, gosto de trabalhar exercícios simples ao passo e em suspensão para ajudar o aluno a encontrar o seu centro de equilíbrio sem rigidez.
Exercício simples:
- Trabalhar ao passo sem estribos durante alguns minutos;
- Alternar entre posição sentada e posição ligeira;
- Fazer pequenos círculos com a bacia para libertar tensão.
Estes exercícios ajudam o corpo a ganhar consciência e estabilidade de forma progressiva.
Mobilidade da bacia: O corpo precisa de acompanhar
Um dos maiores bloqueios no trote sentado acontece quando a bacia deixa de acompanhar o movimento do cavalo.
Quando existe rigidez na lombar e na anca, o impacto do trote aumenta e o cavaleiro começa a “bater” na sela.
Curiosamente, muitos alunos melhoram bastante quando percebem que o objetivo não é ficar imóvel, mas sim aprender a movimentar-se com o cavalo.
Exercício simples:
- Alongamentos da anca antes de montar;
- Exercícios de mobilidade pélvica numa bola de pilates;
- Trabalhar trote sentado durante poucos segundos de cada vez, sem insistir em excesso.
Pequenos momentos de qualidade valem muito mais do que longos períodos de tensão.
Confiança e Segurança
Também é importante perceber que o trote sentado não é apenas uma questão física.
Existe uma componente emocional muito forte.
O medo de perder o equilíbrio, de bater na sela ou de “não conseguir” cria antecipação e tensão antes mesmo do exercício começar.
E um corpo em estado de alerta dificilmente consegue absorver movimento de forma fluida.
Lembro-me de vários alunos que passaram meses a acreditar que nunca conseguiriam fazer trote sentado. Alguns chegavam mesmo a evitar esse momento da aula por ansiedade.
Mas, curiosamente, quando começámos a trabalhar primeiro a segurança, a estabilidade e a compreensão do movimento do cavalo, tudo começou gradualmente a mudar.
Não porque o trote ficou mais fácil de um dia para o outro, mas porque o corpo deixou de estar constantemente em defesa.
O cavalo também conta!
Cada cavalo possui um movimento diferente.
Existem cavalos com trotes mais suaves, elásticos e fáceis de acompanhar, enquanto outros apresentam movimentos mais fortes ou mais difíceis para alunos em fase de aprendizagem.
Por isso, comparar alunos entre si raramente faz sentido.
Cada combinação entre cavalo e cavaleiro é única.
Antes da técnica precisa de existir segurança
Ao longo do tempo, fui percebendo que muitos alunos começam finalmente a desbloquear o trote sentado no momento em que deixam de lutar contra o movimento do cavalo e começam verdadeiramente a compreendê-lo.
Talvez seja precisamente aí que a equitação deixa de ser força… e começa a tornar-se comunicação.
E talvez o mais importante seja lembrar que dificuldades não significam falta de capacidade. Muitas vezes significam apenas que o corpo ainda precisa de tempo, preparação e confiança.
E desse lado?
O trote sentado também foi, ou continua a ser um desafio para ti?
Gostava muito de ler a tua experiência nos comentários.

